03 segredos para você não passar vergonha na obra e ainda ter um projeto de sucesso

Alguma vez, quando requisitado por um cliente ou executor para uma visita em obra, você teve medo de passar vergonha ao chegar lá?

Na vida cada dia é um novo aprendizado, assim como nas obras.

Ninguém sabe tudo, mas é importante que você saiba de tudo um pouco. Agora você deve estar se perguntando: como?

Nesse artigo você irá aprender 03 segredos que te farão ter mais segurança para ir para o canteiro de obras! Leia até o final.

Você tem medo de não saber tirar a dúvida de como executar o seu PRÓPRIO projeto?

Medo de saber MENOS que o “mestre de obras”, cliente do tipo sabidão, ou algum outro funcionário da obra?

Provavelmente, mesmo que inconscientemente, você já passou por isso!

Mas calma lá!

Antes de tudo, saiba que não é bem aí que mora o problema. Na verdade não há mal algum nisso! Inclusive, até o final da sua vida certamente você vai topar com mestres, pedreiros, engenheiros e outros arquitetos que saberão muito mais do que você sobre um determinado assunto. E SÉRIO, isso não tem nenhum problema.

Você tem que saber apenas como extrair, de cada situação como essa, um aprendizado relevante! E claro, ter a expertise em saber lidar com as pessoas, isso certamente será um divisor de águas em sua vida.

E tenha sempre em mente:

“Os maiores êxitos profissionais devem-se a habilidade para dirigir as pessoas.” Dale Carnegie.

Cada projeto de arquitetura possui suas especificidades, seus detalhamentos executivos, materiais a serem utilizados, tecnologia empregada, e vários conceitos diversos… Sendo assim, seria ingenuidade achar que você, com pouco tempo de formado, poderia saber “de tudo” em relação ao universo da execução.

Em contrapartida, uma coisa eu aprendi nessa jornada de escritório e obras, nos últimos anos de minha vida, e que gostaria de compartilhar com você é: NÃO HÁ ESPAÇO PARA IMPROVISOS.

Você deve estar se perguntando, “Ué, ele acabou de dizer que não é possível saber de tudo, mas ali em cima ele falou que tinha que saber de tudo um pouco! Como assim?”

O primeiro passo é saber planejar o seu CONHECIMENTO. (“Ahn?” – Fique tranquilo, explico já!).

Segredo 1. PLANEJE O SEU CONHECIMENTO

Isso mesmo, uma coisa que não falha é planejar o conhecimento.

Explico: enquanto faz o seu projeto, tenha em mente quais são as técnicas construtivas que você está “pensando em usar”. E analise:

  • Domina completamente…

Já projetou antes com esse sistema construtivo e acompanhou a execução mais de uma vez.

  • Acha que domina…

Pois já projetou diversas vezes, mas nunca viu fazendo, então não conseguiu ainda validar se o seu detalhamento executivo funciona de fato na obra.

  • Não domina…

Tem vontade de usar determinado material ou tipo de acabamento, porém não faz ideia por onde começar, e no seu projeto especifica: “a definir”. (Já já falaremos sobre o “a definir”).

Vamos lá, coloque em prática o primeiro segredo para NÃO PASSAR VERGONHA na obra, COMO?

Mapeie esses elementos e identifique quais deles você não faz ideia de como especificar.

Imediatamente, com isso em mente, encontre alguém que saiba fazer. Um colega arquiteto que já tenha feito, um fornecedor que VENDE determinado produto, um executor no qual você confia para tirar suas dúvidas ou até mesmo um site, blog ou canal na internet que seja CONFIÁVEL, é claro!

Dessa forma, ainda durante o seu projeto, você será capaz de prevenir que te chamem para a obra para tratar daquele detalhe que você especificou, mas não sabe como se executa ou para definir aquele que está como “a definir”.

Pois, certamente, será para você que ligarão quando precisarem saber onde comprar o produto da marca “a definir”!

Lá vai o segundo segredo:

Segredo 2. JAMAIS CHUTE ALGO NA OBRA

No Brasil temos a fama triste de dar jeitinho para tudo. CUIDADO!

Não dê um jeitinho na obra, pois os prejuízos podem ser catastróficos (e digo prejuízo no sentido literal! R$) e você provavelmente não vai querer arcar com eles por erros de projeto. E com relação a isso acho bastante válido e prudente você estar atento à norma de desempenho de edificações NBR 15575, que entrou em vigor em 2013 (falaremos sobre ela em outro artigo).

  • Se o chamado vier do seu cliente

Caso aconteça algum imprevisto, surja alguma dúvida que você não saiba resolver, não se acanhe em ser sincero com quem te botou em cheque.

Diga, humildemente, que não sabe como resolver, mas que irá buscar a resposta com seus parceiros. Tranquilize-o afirmando que você é bem relacionado e irá consultar experientes construtores e especialistas. Comece então a corrida para remediar o problema!

Uma frase que gosto de dizer aos meus clientes é: “Eu sou um resolvedor de problemas!”.

Então seja um RESOLVEDOR DE PROBLEMAS! Mesmo que você não tenha a resposta de imediato, mas deixe seu cliente seguro de que você irá resolver a questão. E digo com convicção, você irá resolver! Quando o seu cliente sente segurança no seu trabalho ele rapidamente deixa de te questionar a solução de um determinado problema e passa a, apenas, comunicar e esperar que o problema seja resolvido, sem entrar em detalhes técnicos.

Encontre essas pessoas para te auxiliar no processo de execução, pois, mais uma vez, ninguém nasce sabendo.

  • Se o chamado vier do executor da obra

Se quem te requisitar for o executor da obra e você estiver completamente perdido sobre como se sair dessa, abuse do “saber ouvir”.

Talvez essa dica seja lida até com um certo desdém, do tipo “eu sei muito bem ouvir os outros, quem esse Alex pensa que é para me dizer uma coisa tão óbvia e característica de bons seres humanos!?”.

Olha, pela minha vivência sei que, infelizmente, temos que lidar diariamente com nosso próprio “ego de arquiteto”. E falo por mim mesmo, ok? (E por alguns que eu conheço! rs)

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Mas imagino que se você não seja um arquiteto cujo ego extrapola o tamanho da sua cidade (ou nem estaria aqui lendo este artigo em busca de conhecimento), mas você conhece certamente algum que seja!

Parece que fomos todos criados nessa espécie de fôrma da individualidade do “ser criativo”, do “estrelismo”. Com exercícios diários treinando a capacidade de ouvir e dar importância às pessoas é que tenho vivenciado uma realidade cada dia mais colaborativa entre as pessoas.

“Interessando-nos pelos outros, conseguimos fazer mais amigos em dois meses do que em dois anos a tentar que eles se interessem por nós.”

Dale Carnegie.

Inclusive li um artigo em um blog que falou justamente sobre isso, sobre tudo que eu sentia estar acontecendo, mas nunca consegui expressar. (Quem quiser conferir, vale a pena dar uma lida no texto “Há algo de grandioso acontecendo”, por Gustavo Tanaka.)

Enfim, voltando ao assunto. Aprenda a lidar com seu ego. Aprenda a doutrina-lo e controlá-lo. Pois, veja bem: uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter é a de “saber ouvir”!

Repita como um mantra toda as vezes que estiver a caminho de uma obra: “eu devo saber ouvir”, “eu devo saber ouvir”, “eu devo saber ouvir”… Ouça a todos, sem distinção.

Qualquer um que vivencia diariamente uma obra é capaz de te acrescentar informações necessárias para sua completude com arquiteto.

Questione a própria pessoa que te chamou, devolvendo a pergunta, sobre qual seria a solução mais eficiente que ela mesma daria para aquele problema! Diversas vezes me deparei com profissionais que, com intuito de me testar, questionavam-me sobre coisas que eles já sabiam a resposta. Infelizmente tratam-se de pessoas vaidosas e que querem se impor de modo a mostrar, principalmente para o cliente, quem sabe mais.

Aí, nesse caso, devolvendo a pergunta, você usa a vaidade dele contra ele mesmo. Você verá que assim que devolver a pergunta a ele, ele te dará duas ou três possibilidades diferentes de fazer a mesma coisa para mostrar o quanto ele entende do assunto, então você escolhe uma delas.

Analise os prós e contras de cada uma e então tome a decisão de qual seguir. Você, como autor do projeto, terá uma visão mais ampla de como aquele conjunto de hipóteses acarretariam no resultado final da obra.

Para isso, esteja atento ao que o outro está falando. Peça para exemplificar, entenda DE FATO a opinião dele. É legal frisar que fazendo isso você estabelece também uma relação de confiança com quem executa seu projeto.

Nesse aspecto, você só tem que tomar um cuidado: faça perguntas direcionadas! Mostre-se interessado em aprender e logo você terá “conhecimento” como retorno!

Se a pessoa em questão estiver tão perdida quanto você seja sincero e com carisma faça ela jogar a seu favor. Diga a ela que conta com sua colaboração para encontrar uma solução e, assim que possível, dê o mérito a ela.

NÃO seja egoísta com os méritos do sucesso. Tenha em mente sempre que o processo é totalmente coletivo e, consequentemente, o sucesso também!

A partir daí, sigam juntos na jornada de encontrar a melhor solução para cada um dos problemas, que deixaram de ser só seu, e passaram a ser dos dois! E sinceramente, juntos somos mais fortes! Tenha certeza disso.

Segredo 3. NUNCA DESAPAREÇA DO SEU CLIENTE OU DE QUEM ESTÁ EXECUTANDO A OBRA

Seja o mais presente e acessível possível! Claro, cobrando o suficiente para isso! (falaremos mais sobre este tema em outro artigo)

Saber cobrar por seus serviços é algo importantíssimo, e só assim você será capaz de atender aos chamados da obra com boa vontade e empenho em solucionar os problemas!

Dessa forma você:

  • Se ajudará, pois garantirá seu portfólio;
  • Ajudará seu cliente, que não se sentirá abandonado na obra;
  • E ajudará a equipe de obra, que muitas vezes precisa da sua opinião para avançar em outras etapas.

Hoje em dia há diversas ferramentas que podem auxiliá-lo nesta empreitada (emails, redes sociais e diversos aplicativos que podem te poupar tempo e deslocamento, pense a respeito!).

Consultorias on-line são excelentes opções para certos tipos de problemas e você pode vender esse serviço para seus clientes.

Tenha em mente, também, que nos dias atuais não há espaço para profissionais estrelas no mercado.

Os clientes buscam cada vez mais qualidade, atendimento exclusivo, acessibilidade – para que o profissional possa eximir possíveis dúvidas e inseguranças durante o processo -, comodidade e segurança.

Profissionais com fama de inacessíveis, enrolados e estrelas, estão perdendo mercado e tendo que rever suas atitudes, ainda mais em tempos de crise.

Isso se você realmente fizer questão de garantir um bom portfólio e ascender no mercado, pois o que mais vejo atualmente são os, que costumo chamar de “profissionais de um serviço só” (mais isso abordarei em outro artigo).

Um fato que confirma esse raciocínio é que os arquitetos que estão se sobressaindo no mercado não são os que tiravam as melhores notas na faculdade, mas sim aqueles que possuem uma maior inteligência emocional (ou interpessoal), conseguindo gerar maior empatia com seus clientes e funcionários.

Dessa forma, tornaram-se grandes líderes e, consequentemente, referências no mercado.

Essa empatia sempre joga a seu favor quando se trata de obra, pois se você é acessível acaba conquistando o respeito de toda a equipe e principalmente do seu cliente. Sendo assim, DIFICILMENTE você será “rifado” durante a obra.

O empurra-empurra da busca por um culpado por determinado problema, acaba respingando CADA VEZ MENOS em você.

Exercite isso e ganhe ALIADOS!

SAIBA COMO TER UM PROJETO DE SUCESSO

Um projeto de sucesso no meu ponto de vista é um projeto completo e exequível (inclusive do ponto de vista financeiro).

E que atenda às necessidades estéticas, funcionais e técnicas.

Sigamos…

TENHA TODOS A SEU FAVOR!

Tenha contato direto com todos os fornecedores e prestadores de serviços envolvidos com a obra, anote o contato dos bons profissionais, materiais inovadores e de fácil acesso para os projetos em desenvolvimento e para os futuros.

Marque reuniões, ainda durante o processo de confecção do Projeto de Arquitetura com as empresas especializadas e fornecedores. Estas reuniões são extremamente positivas e instrutivas nos proporcionando um novo mar de possibilidades construtivas, além de serem sempre consultorias gratuitas!

Neste sentido, mais uma vez, ouça mais e fale menos.

Elabore previamente perguntas objetivas em relação aos pontos chaves que atendam ao seu projeto e verá que cada fabricante e/ou fornecedor, com o intuito de vender, te mostrará interessantes soluções e dicas para resolver uma série de possíveis problemas, até mesmo para os que você achava que já estavam resolvidos.

Mas tenha cuidado, vendedor é sempre vendedor. Quem deve decidir o que convém ou não a ser utilizado e como deve ser utilizado é você arquiteto.

Eu sempre utilizo uma frase de efeito para defender meus projetos diante de meus clientes quando estes são assediados diretamente pelos fornecedores:

“Um vendedor sempre tentará lhe vender quantidade e eu estou lhe vendendo qualidade”. 

Lembro-me de um fato ocorrido em uma de nossas obras em que o cliente veio todo feliz nos contar, e tentar nos convencer, da ideia que o “rapaz” que instalou o deck que projetamos (este que era apenas um pequeno detalhe para uma área externa de banho) lhes havia dado.

Ele havia dito que ficaria muito mais bonito e que “estava na moda” revestir toda a área de lazer com deck de madeira (era uma área de quase 140 m²), que pisos cimentícios, como o que havíamos especificado, nem se comparavam com a nobreza do material que ele representava.

Calmamente usei a minha frase de efeito e depois reforcei: “se você permitir este “rapaz” irá pregar deck de madeira até na sua testa”!

Mostrei para o cliente que não fazia sentido fazer essa troca, pois ela implicava em uma série de outras interferências.

  • Que não era simplesmente trocar o material e pronto;
  • Que a setorização que pretendíamos com aquelas escolhas seria totalmente prejudicada;
  • Que a conexão daquele deck diretamente com o material da piscina não era das melhores do ponto de vista técnico e estético, além de descaracterizar o projeto e gerar retrabalhos;
  • E por último fiz a ele a seguinte pergunta: Você confia em mim? Obviamente, eu não havia dado motivos para que não, o cliente sentiu a firmeza no meu posicionamento e não insistiu mais naquela ideia.

Desse modo, é muito importante frisar que o seu cliente deve CONFIAR EM VOCÊ.

Mostre que você está do lado dele, deixe claro que seu papel é fazer o melhor para ele e que, de forma alguma, você atuará como vendedor de determinado produto ou serviço. Seja como um advogado para o seu cliente.

Sua função como arquiteto durante o projeto, ou durante a execução da obra, é a de proteger seu cliente e consequentemente o projeto que você fez para ele!

UMA DICA QUE VOCÊ DEVE LEVAR PARA TODA A VIDA: VOCÊ APRENDERÁ UM NOVO DIALETO

Provavelmente você irá ouvir na obra (das equipes) palavras que nunca ouviu durante toda a sua vida acadêmica, social, familiar, religiosa, em sonhos ou vozes do além, não se assuste!

Certamente você irá encontrar palavras correspondentes equivalentes no seu dicionário pessoal. Leve tarefa para casa, anote o que puder, e o que for TOTALMENTE ininteligível pergunte educadamente.

Mais uma coisa, não RIA! Tenha sempre em mente que muitos destes conhecimentos e linguajares correlatos são muitas vezes empíricos e passados de pai para filho.  E com MUITO orgulho, diga-se de passagem! Portanto, se quer ter aliados, seja o mais educado possível!

Lembre-se, não é um diploma que te faz melhor que alguém, na verdade, difícil conceituar o que é “ser melhor que alguém”.

Mas uma coisa eu digo com convicção, uma equipe unida e engajada por um mesmo objetivo certamente irá mais longe e terá mais SUCESSO do que uma equipe cujo LÍDER acha que detém todo conhecimento e não aceita questionamentos, mesmo sabendo que está errado.

Procure visitar outras obras em andamento ou já prontas. Atente-se aos detalhes construtivos, encaixes, encontro dos materiais e demais soluções.

Lembre que muito pouco se cria, além do conceito estético, que muitas vezes, também, nasce fruto  de inspirações externas pré-existentes, e todo o restante (até por motivos financeiros e práticos), geralmente se apoia no que já existe no mercado.

As indústrias e fornecedores do ramo da construção são importantíssimos para estabelecimento de detalhamentos, padrões de acabamento e especialização de mão-de-obra locais. Portanto, você deve conhecer seus produtos e especificações.

Então por hoje é só! Espero que você tenha gostado de mais esse artigo do BORAnaOBRA, um blog feito por arquitetos que já perderam o medo, para os arquitetos que ainda tem medo do canteiro de obra, ou que querem crescer ainda mais na profissão.

E também para aqueles que buscam trocar informações relacionadas a nossa prática profissional no que tange a construção civil.

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Você poderá ajudar um amigo (ou um desconhecido, por que não?).

Até a próxima.

Alex Brasileiro

#BORAnaOBRA

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